sábado, 6 de setembro de 2014

Circuito Cultural por Maranguape: conhecendo a sua história

Estivemos participando de um circuito cultural promovido pela Faculdade CDL em Maranguape, região metropolitana de Fortaleza que fica a 30 kms da capital. Terra de filhos ilustres como Capistrano de Abreu, Chico Anysio, Jaime Benévolo, entre outros. A visita foi guiada por dois turismólogos, Gerson Linhares e Alexandre Cabral, deixando o passeio ainda mais rico. O ponto de encontro foi a Igreja Matriz, onde nos juntamos ao grupo e tivemos a grata surpresa de conhecer um pouco da história desta cidade, que mistura passado e presente de forma tão poética.


Segundo Alexandre, que nos guiou no local e nos trouxe informações preciosas, a época da colonização toda aquela região era povoada por indígenas e o cacique da tribo que dominava o Vale chamava-se Maranguape, dando nome à cidade posteriormente. 

A principal igreja de Maranguape, a Matriz,  fundada em agosto de 1849, preserva em sua arquitetura traços neoclássicos. A cidade tem uma peculiaridade de possuir dois padroeiros, sendo Nossa Senhora da Penha e São Sebastião, este escolhido por sua suposta intervenção na grande epidemia de cólera ocorrida no século XIX (estima-se que a doença matou cerca de 11 mil pessoas no Ceará).



Em seu interior uma bonita imagem de Nossa Senhora da Soledade, considerada como a santa que salvou a Igreja Matriz. Conta a história que no ano de 1903, durante uma forte tempestade na cidade, um raio atingiu uma das torres do prédio da Igreja, causando uma grande descarga elétrica e que atingiu a escultura da santa, que tinha em seu interior partes de ferro. O raio atingiu a estátua e resvalou em um quadro com uma imagem de São João Batista, que teve seu entorno queimado, a exceção da imagem do santo, fazendo assim que a comunidade maranguapense acreditasse que um milagre tinha salvo a igreja de ser destruída com o raio.

Solar dos Correias
Tendo a tradicional família Correia como primeiros proprietários, o local foi construído para abrigar os doentes de cólera e tuberculose no século XIX, sendo considerado a primeira unidade hospitalar do município.


Solar dos Sombras
Também construído no século XIX, foi residência do primeiro intendente de Maranguape, Joaquim de Souza Sombra, que era uma espécie de agente público com poderes policiais e tributários. Foi no Solar que o romancista José de Alencar conheceu o então jovem Capistrano de Abreu, levando-o para estudar posteriormente na cidade do Rio de Janeiro. Foi também do casarão, que tinha vista para a Igreja Matriz, que partiu-se para o que seria depois o início do movimento abolicionista no Ceará, liderado por Chico da Matilde.


Casa do Chico Anysio
Localizada no Sitio Ipu, trata-se da casa onde Chico Anysio viveu sua infância. Abriga hoje um pequeno museu. A visita nos leva a conhecer um pouco da meninice de Chico, como um dos cômodos da casa onde o humorista dormia com seus irmãos. De acordo com a guia, o antigo piso era todo em madeira e um dia a mãe de Chico Anysio derrubou a aliança entre as frechas, sendo necessário remover todo o piso para procurá-la. Depois, refizeram o piso com cimento queimado (como é ainda hoje). A família Paula foi uma das mais ricas da região. Seu pai era dono de uma frota de ônibus em Fortaleza, mas que pegou fogo no ano de 1938. Parte do terreno que possuíam, que era muito grande e ia até as proximidades da Igreja Matriz, foi vendido e a família mudou-se para a capital e depois para a cidade do Rio de Janeiro.

A casa e seus objetos levam o visitante a um passado intrigante. O banheiro antigo conta com a mesma estrutura da época. A cozinha, que tinha fogão a lenha, e produtos de barro e potes, guardam a memória da infância de Chico e sua família. Na casa o visitante poderá conhecer ainda exposição de 14 marionetes de personagens do Chico Anysio, com cerca de um metro de altura. Dentre os personagens incluem-se Professor Raimundo, Bento Carneiro, Pantaleão e outros. Há também uma sala com uma exposição permanente de caricaturas assinadas por diversos cartunistas. São algumas das imagens que compuseram o livro "É mentira, Chico?", organizado por Ziraldo. Também mostra os troféus da primeira e segunda edição do Festival Nacional de Humor de Maranguape.








Praça Capistrano de Abreu
Considerando um dos maiores historiadores do Brasil, é outro filho ilustre da terra de Maranguape. Nascido em 1853, foi inicialmente alfabetizado em sua cidade natal e posteriormente enviado à capital, onde estudou no Seminário da Prainha, onde foi expulso e tal feito rendeu-lhe uma surra dada, a mando de seu pai, por dois dos seus melhores escravos. Conheceu no Solar dos Sombras o então senador José de Alencar, que ficou impressionado com a inteligência de Capistrano e a seu convite vai à capital do Império, onde começa a escrever artigos para a Gazeta de Notícias. Nunca acumulou riquezas, permanecendo assim até a sua morte, em 1927, tendo sido socorrido financeiramente por amigos para que pudesse ser enterrado.






Solar Bonifácio Câmara
Também construído pela família Correia, no século XIX. Sua arquitetura apresenta forte influência portuguesa, onde anteriormente abrigava a residência da família no andar de cima e no andar de baixo pontos comerciais. Atualmente é a sede da Biblioteca Pública Municipal Capistrano de Abreu, com um acervo de aproximadamente quinze mil exemplares.






Museu Municipal
Prédio que já abrigou a antiga cadeia da cidade, construído entre 1877 e 1879 e funcionando como casa de detenção até a década de 1980, contém um pequeno acervo e que pouco trata da história da cidade ou de seus filhos ilustres. Algumas peças sobre Chico Anysio que lá ficavam foram transferidas para a sua antiga casa, ficando assim o prédio com peças antigas. Faltam referências a outras personalidades tão importantes, como o historiador Capistrano de Abreu e o comerciante Tibúrcio Cavalcante. Ainda assim, vale a visita. As grades da antiga cadeia ainda estão lá dispostas e são uma atração a parte.





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