quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O que fazer em Aracati? | Patrimônio histórico da cidade

Já falamos por diversas vezes aqui no blog sobre a praia de Canoa Quebrada, o segundo destino mais visitado do Ceará, atrás apenas de Fortaleza. O que muita gente não sabe - e isso é realmente lamentável! - é que Aracati, o município onde localiza-se a famosa praia e distante cerca de 160kms da capital, oferece um percurso rico e detalhado sobre a história do Ceará e mesmo do Brasil e que uma das cidades mais conhecidas do estado seja tão desconhecida em sua riqueza histórica. Terra de filhos ilustres como Adolfo Caminha, Barão de Aracati, Monsenhor Bruno, entre outros e tombada pelo Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 2000, no post de hoje iremos contar como foi nosso roteiro pelo centro histórico da cidade.


Nossa viagem se deu a Aracati em Dezembro de 2015. Fizemos todo o passeio com a Cooptema, uma cooperativa de fretamento e turismo localizada em Aracati e que oferecem passeios por todo o litoral leste. O passeio total do Centro Histórico pode chegar a levar nove horas!, mas em virtude do pouco tempo que tínhamos, fizemos apenas em uma tarde. A sensação era de que deveríamos ter deixado mais tempo na agenda para fazer algo mais completo mesmo. A quantidade de atrativos e pessoas que fazem a história de Aracati são tantas que chegamos a conclusão que merecia um dia todo na agenda para melhor aproveitar todo o percurso. Recomendamos ter a companhia dos guias da Cooptema, única empresa que faz esse passeio na região, e que permitirão não apenas ver os prédios e casas em um roteiro sistemático e com sentido, mas conhecer as histórias e até lendas que envolvem toda a magia desse passeio. Quem acompanha esse passeio é o Ocivan Moreira, pós-graduado em Museologia. Não tem como não ser incrível, não é?

ROTEIRO PASSO A PASSO



Começamos o passeio pelo Monumento Cruz das Almas, situado próximo a Rodoviária de Aracati, um dos principais monumentos históricos da cidade, datado no século XVIII. Contam os registros que o monumento foi erguido no local onde os primeiros escravos da então Vila de Aracati, condenados à morte, foram enforcados. Recebeu este nome pois às segunda-feiras, dia das almas, o povo costumava ir rezar terços e fazer romarias ao Monumento.

A segunda parada foi na Casa Coe, um casa antiga comandada pela gastrônoma Jaqueline Coe e que vende produtos regionais e artesanatos e onde é possível tomar um café ou mesmo uma das mais de 20 opções de licor produzidos pela Casa, tradição passada pela matriarca da família. Lá também é possível apreciar cachaças, mel, cajuína, doces, geleias e castanhas, além de comprar as famosas redes de Jaguaruana. O espaço é bem aconchegante e nos fins de semana funciona também o buffet com música ao vivo. Aproveite para apreciar algumas das saborosas sobremesas da Casa antes de começar a caminhada pela Rua Grande, onde se concentram as principais atrações deste passeio.

Lojinha da Casa Coe, com cachaças, licores, molhos etc

Espaço para música ao vivo aos fins de semana

Ainda na Rua Grande é possível fazer uma parada e conhecer os produtos vendidos pelo "Zé da Paz" em uma pequena lojinha e com preços muito mais atrativos do que os vendido em Canoa Quebrada. Ali o visitante poderá conhecer sobre o artesanato em palha com peças fabricadas não só em Aracati, mas em diversas cidades da região do Jaguaribe. Imperdível!


Nossa próxima parada é na Igreja Nosso Senhor do Bonfim. Fundada no final do século XVIII, segue o estilo barroco e, embora seja uma edificação simples, possui grande valor histórico. Nos fundos apresenta o cemitério da Irmandade do Bonfim, onde eram enterrados padres e pessoas de prestígio da sociedade aracatiense e que pagavam alto preço por tal "privilégio".


Cemitério aos fundos da Igreja Nosso Senhor do Bonfim

Continuando na Rua Coronel Alexanzito estão várias casas e prédios tombados pelo Iphan, tornando-se um verdadeiro lugar de encontro com o passado e abrigo de memórias centenárias. No percurso, é possível conhecer as casas onde viveram Adolfo Caminha, Beni de Carvalho, Jacques Klein e a casa que foi sede da Confederação do Equador, em 1824. Muitas delas mantêm ainda os azulejos portugueses e fachadas originais. Outras precisam ser restauradas.






Os becos e vielas complementam o cenário histórico e bucólico do roteiro.


Outro destaque no roteiro pelo patrimônio histórico de Aracati é a Casa de Câmara e Cadeia, construída na segunda metade do século XVIII para servir de câmara na parte superior e cadeia na parte inferior, como era comum naquela época do Brasil Colonial, funcionando como prisão até 1988.


O antigo sobrado do Barão de Aracati construído em estilo neoclássico e revestido em azulejo português, conta com quatro pavimentos e sedia, desde 1980, o Museu Jaguaribano. O museu guarda um acervo precioso da história de Aracati e conta com peças requintadas, como uma escada-caracol.


Outra beleza em nosso caminho foi conhecer a Casa Ponciano, um local que mantém a mesma arquitetura e costumes a quase 70 anos e que passou de geração a geração a tradição de um suco de tamarindo com uma receita secreta. Lá fizemos uma parada para apreciar o famoso suco e também os moldes da antiga "mercearia", como do tempo dos nossos avós e que se mantém firme e forte em meio a tanta tecnologia e industrialização do nosso século. Visitar a Casa Ponciano é relembrar a vida tranquila no interior, o local do encontro de amigos e a resistência da memória, apesar do desenvolvimento avançado.



O ponto alto desse roteiro foi, sem dúvida, a visita à Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário dos Brancos. Segundo os registros, uma capela, fundada em 1745, deu origem à igreja. Em sua frente localiza-se o grande cruzeiro, com o símbolo do sofrimento de Cristo. Seu interior é rico de peças talhadas e detalhes em estilo barroco, tornando um grande atrativo para visitação e apreciação.



No andar superior da Igreja é possível ter acesso a um museu sacro que vem sendo construído e conta com um acervo importante distribuído em dois salões. Inaugurado em março de 2015, é possível apreciar imagens, fotos, maquetes, confessionários. O museu está aberto a visitações sempre que a Igreja estiver aberta.






O passeio finaliza-se no Café D'Amélia. Depois de uma tarde inteira conhecendo pontos importantes da cidade, uma pausa merecedora ao sabor de um bom café e quitutes dessa Casa, como tapioca, biscoitos caseiros e cuscuz, coroam o dia. O espaço, um antigo casarão restaurado, é de muito bom gosto e charme, além do atendimento impecável por parte de toda a equipe. As opções são variadas e o preço justo. 




Se você gostou desse passeio (tenho certeza que sim!) agende um roteiro com a Cooptema através do site http://cooptema.com.br/ ou dos telefones (88) 3433.4484 ou 98807.4525. Além desta opção, eles oferecem passeios pelo Rio Jaguaribe, outra forma de conhecer Aracati.

Em Aracati, confira também:

- Roteiro de um dia em Canoa Quebrada
- Passeio de buggy + maior tirolesa entre dunas do Ceará
- Vôo de parapente

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