A cachaça é uma das bebidas mais tradicionais no Brasil, tendo inclusive um dia "só pra ela" - o dia 13 de setembro. Pinga, aguardente, branquinha... Esses são apenas alguns "apelidos" carinhosos que a bebida ganhou no País. De norte a sul, é produzido mais de um bilhão de litros por ano, com exportação para mais de sessenta países.


Existem alguns museus que prestigiam a história da bebida no Brasil, como o Museu da Cachaça de Lagoa do Carro (PE), ou o Museu da Cachaça de Paty de Alferes (RJ), além de museus em Minas Gerais e São Paulo (fonte aqui).

Aqui no Ceará temos dois grandes espaços para contar essa história, listados logo abaixo, além de outros atrativos que têm a bebida como atrativo. Pensando nisso, resolvemos destacar alguns locais no Ceará que você poderá conhecer mais sobre a história e fabricação da bebida. Mesmo para quem não aprecia, a visitação aos locais abaixo relacionados valem a pena por toda a história contida nesses espaços e grandes curiosidades que o visitante irá encontrar.

Museu da Cachaça | iPark Complexo Turístico

Fonte da foto: Diário do Nordeste

O Museu da Cachaça do complexo turístico Ipark, localizado na cidade de Maranguape, localiza-se na primeira propriedade que sediou a Ypióca, em um casarão do século XIX. No local, através de visita guiada, é possível conferir um acervo completo com mapas, documentos, fotos e filmes, além de maquinário, garrafas e equipamentos da época da produção, além de um canavial. Destaca-se ainda, no roteiro, a visitação ao maior barril de cachaça do mundo, com oito metros de altura e capacidade para 374 mil litros, tendo inclusive entrado no Guinness Book.

Museu do Engenho Colonial | Engenhoca Parque
Nossa segunda dica é visitar o Museu do Engenho Colonial, localizado no Parque Engenhoca, no município de Aquiraz, de propriedade da Colonial. Com uma exposição permanente, o Museu conta com salas que apresentam ao visitante desde a colheita da cana, passando por elementos histórico-culturais e apresentando também cada etapa do trabalho artesanal, que vai desde os primeiros engenhos de tração animal até a produção industrial da cachaça. 



Museu Senzala Negro Liberto
Apesar do grande atrativo do Museu Senzala Negro Liberto, em Redenção, ser a história relacionada a casa grande e os escravos, onde é possível inclusive visitar uma antiga senzala, não se pode ignorar a preservação dos fatos ali relacionados à produção da Cachaça Douradinha. No local, peças antigas preservam essa história e ainda é possível ver o funcionamento do engenho de cana de açúcar, passando por peças de tração animal até a infra-estrutura atual da produção, onde é possível apreciar desde uma máquina de moagem de 1927, fabricada na Escócia.



Casa dos Licores
Em Viçosa do Ceará, a pedida é visitar a Casa dos Licores, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade e que possivelmente é o que mais vale a visita. O local é mantido por mais de 50 anos pela família Carneiro. Começou com o pai, Alfredo, e hoje é continuado por uma das filhas, Teresa. No local é possível degustar cachaças e licores artesanais, além de se embebedar, literalmente, nas histórias da família, tudo regado ao som de pífano, que originalmente era tocado por seu Alfredo.








A Casa José de Alencar, localizada em Fortaleza, além de ser um espaço incrível para você visitar, fazer aquele picnic em família ou amigos, faz parte da Rota Caminhos de Iracema (clique aqui para saber mais) e também possui mais 5 equipamentos culturais abertos a visitação pública. É sobre esse espaço cultural que vamos falar um pouco sobre eles hoje.


Trata-se de um centro cultural que guarda muitas histórias sobre um dos mais célebres escritores do Ceará. Funciona em um sítio localizado na Av. Washington Soares, 6.055, em Fortaleza, e que oferece a visitação a cinco equipamentos importantes para conhecer um pouco mais sobre Alencar e outros temas.

A construção da Casa José de Alencar é do século XIX e foi onde José de Alencar nasceu e passou parte da sua infância. Em 1965, foi adquirida pela Universidade Federal do Ceará (UFC), que resolveu transformar o local em um espaço cultural.

O conjunto arquitetônico abriga ruínas arqueológicas e suas edificações históricas. O visitante terá a oportunidade de conhecer a casa onde José de Alencar viveu parte da sua vida, além outros equipamentos que também ajudam a contar a história do autor, entre eles a Pinacoteca Floriano Teixeira, que expõe 32 quadros que retratam personagens da obra romanesca de José de Alencar. Através das pinturas é possível fazer um verdadeiro mergulho na obra literária de Alencar.

O espaço conta também com o Salão Iracema, que abriga uma coleção do renomado artista cearense Descartes Gadelha e que retrata também a obra de Iracema. São 33 desenhos a bico de pena em naquim e uma tela a óleo. Também podemos destacar o Museu Arthur Ramos, que possui duas exposições permanentes, sendo uma sobre a Cultura e Religião Afro-Brasileira (uma das principais coleções etnográficas do Brasil) e outra sobre Renda de Bilros (com mais de 3 mil exemplares de renda coletados em todo o Ceará).

Por fim, poderá conhecer as duas bibliotecas: a Biblioteca Comunitária O Guarani e a Biblioteca Braga Montenegro, que conta com uma vasto material digitalizado relativo à obra de José de Alencar, assim como seus manuscritos.

As visitas, que são gratuitas, acontecem de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Aos sábados, acontece das 08h às 12h.

Oi gente,

hoje iniciamos aqui no blog uma série nova de postagens que visam mostrar lugares incríveis no Ceará que trabalham com a proteção e/ou preservação da nossa fauna e flora. E a gente não podia ter começado melhor: visitamos o Projeto Manatí, da ONG Aquasis, que tem um trabalho espetacular com peixes-boi.



Sobre o peixe-boi

Os peixes-boi, também conhecidos como manatís, apesar de viverem na água, não são peixes e sim são mamíferos, mais especificamente mamíferos aquáticos. Eles vivem em águas rasas da costa oceânica e é uma espécie extremamente vulnerável e que enfrenta problemas como poluição das águas, mudanças climáticas, destruição dos habitats e acidentes com embarcações e redes. A fêmea apresenta um ciclo reprodutivo bem lento, gerando um único filhote a cada quatro anos, e isso faz com que os danos a essa população sejam muito mais difíceis de serem revertidos.

O Ceará é um dos últimos estados em que ainda sobrevive o peixe-boi marinho. Segundo o veterinário Victor Luz, em entrevista para o programa 50 por 1, o número de animais na natureza diminui em um ritmo preocupante e a estimativa são de apenas 1.100 animais no Nordeste do Brasil. Juntamente com o boto-cinza, o peixe-boi corre sérios riscos de extinção. O Ceará possui ainda o maior número de encalhes de filhotes de recém-nascidos do país, com uma média de quatro a cada ano.

A ONG Aquasis

A Aquasis desenvolve esse trabalho incrível e luta pela conservação da espécie. No projeto Manatí, que é apoiado pelo SESC e tem o apoio da Petrobrás, biólogos e veterinários se dedicam ao resgate, reabilitação, estudo e criação de políticas públicas para a conservação tanto do peixe-boi quanto do boto-cinza.


Outra coisa que soubemos durante a visita é que eles mantêm uma equipe de resgate 24 horas para o atendimento de animais encalhados. Contam também com um Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos (CRMM). Em seis anos de existência, o Projeto já resgatou mais de 23 peixe-bois e 300 cetáceos, entre golfinhos e baleias. Caso você aviste algum animal encalhado, ligue imediatamente para a equipe da Aquasis. O telefone é: 85 3113 2137 / 99800-0109.

A visita

Vamos falar da visita. A Unidade da ONG fica localizada dentro da Colônia Ecológica do SESC Iparana, na cidade de Caucaia, cerca de uns 13kms de Fortaleza. As visitas devem ser agendadas e o contato pode inicialmente ser feito através do telefone (85) 3318 4911 ou nas redes sociais do projeto (que deixarei mais abaixo).



Após o agendamento, basta se dirigir ao local no dia e horário marcado. A visita é gratuita e lá você será (muito bem) recebido por um membro da equipe que explicará todo o trabalho desenvolvido. A exposição é pequena, mas incrível pela possibilidade e oportunidade de você aprender / conhecer mais sobre esse animal e também sobre como o Projeto Manatí ajuda na conscientização da população e também no resgate e cuidado com o peixe-boi.

Ficamos um bom tempo lá conversando sobre o projeto, assistimos um vídeo curtinho bem interessante mostrando o trabalho da ONG e claro, fizemos fotos com os vários modelos em tamanho real que eles têm dispostos lá. 

Importante ressaltar que apesar deles terem no local o Centro de Reabilitação dos Mamíferos Marinhos, não é possível ter contato com os animais visto que é uma forma deles "não se acostumarem" com os humanos, pois os mesmos serão devolvidos à natureza após um período de reabilitação e readaptação.

Finalizando

Particularmente esse é o tipo de roteiro que nós amamos fazer. É muito importante quando temos a oportunidade de agregar lazer a informação, cultura e aprendizado. Se você é de Fortaleza ou região metropolitana, ou estiver visitando nossa cidade, recomendo muito que tire um tempinho e faça esse roteiro, especialmente se você estiver com crianças. Tenho certeza que todos irão gostar!

Ah, e lembre-se de marcar a gente através da #rodandopeloceara.